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Bolívia

                   
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Estado Plurinacional de Bolivia [1](espanhol)
Buliwya Mama Ilaqta (quíchua)
Wuliwya Suyu (aimará)

Estado Plurinacional da Bolívia
Bandeira da Bolívia
Brasão de armas da Bolívia
Bandeira Brasão de armas
Lema: ¡La unión es la fuerza!
("A união é a força!")
Hino nacional: Bolivianos, el hado propicio
("Bolivianos, o futuro propício")
 Reproduzir som
Gentílico: boliviano(a)

Localização do Bolívia

Capital Sucre (constitucional)
La Paz (sede do governo)
Cidade mais populosa Santa Cruz de la Sierra
Língua oficial Espanhol, Quíchua, Aimará e Guarani
Governo República presidencialista Unitária
 - Presidente Evo Morales
 - Vice-presidente Álvaro García Linera
Independência da Espanha 
 - Declarada 6 de agosto de 1825 
Área  
 - Total 1.098.581 km² (28.º)
 - Água (%) 1,29
 Fronteira Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru
População  
 - Estimativa de 2010 10.426.160 hab. (84.º)
 - Censo 2006 9.627.269 hab. 
 - Densidade 8,9 hab./km² (210.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2009
 - Total US$ 45,523 bilhões (91.º)
 - Per capita US$ 4.451 (104.º)
Indicadores sociais
 - Gini (2006) 59,2
 - IDH (2010) 0,643[2] (95.º) – médio
 - Esper. de vida 65,6 anos (134.º)
 - Mort. infantil 45,6/mil nasc. (132.º)
 - Alfabetização 90,7% (92.º)
Moeda Boliviano (BOB)
Fuso horário UTC −4
Hora atual: 07:11
 - Verão (DST) UTC −4
Org. internacionais ONU (OMC), Mercosul, OEA, ALADI, OTCA, UNASUL, CI-A, UL
Cód. ISO BOL
Cód. Internet .bo
Cód. telef. +591
Website governamental www.bolivia.gob.bo

Mapa do Bolívia

Bolívia (Pronúncia espanhola, AFI: /βoˈliβja/), oficialmente Estado Plurinacional da Bolívia,[3][4] é um país encravado no centro-oeste da América do Sul. Faz fronteira com o Brasil ao norte e leste, Paraguai e Argentina ao sul, e Chile e Peru ao oeste.

Antes da colonização europeia, a região andina boliviana fazia parte do império Inca - o maior império da era pré-colombiana. O império Espanhol invadiu e conquistou essa região no século XVI. Durante a maior parte do período colonial espanhol, este território era chamado Alto Peru ou Charcas e encontrava-se sob a administração do Vice-Reino do Peru, que abrangia a maioria das colônias espanholas sul-americanas. Após declarar independência em 1809, dezesseis anos de guerras se seguiram antes do estabelecimento da república, instituída por Simón Bolívar, em 6 de agosto de 1825. Desde então, o país tem passado por períodos de instabilidade política, ditaduras e problemas econômicos.

A Bolívia é uma república democrática, dividida em nove departamentos. Sua geografia varia de picos andinos no oeste a planícies no leste, situadas na bacia Amazônica. É um país em desenvolvimento, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio e uma pobreza que atinge cerca de sessenta por cento da população. Dentre suas principais atividades econômicas, existe a agricultura, silvicultura, pesca, mineração, e bens de produção como tecidos, vestimentas, metais refinados e petróleo refinado. A Bolívia é muito rica em minerais, especialmente em estanho.

A população boliviana, estimada em 10 000 000 de habitantes, é multiétnica, possuindo ameríndios, mestiços, europeus, asiáticos e africanos. A principal língua falada é o espanhol, embora o aimará e o quíchua também sejam comuns. Além delas, outras 34 línguas indígenas são oficiais. O grande número de diferentes culturas na Bolívia contribuiu para uma grande diversidade em áreas como a arte, culinária, literatura e música.

Índice

  Etimologia

  Pôr do sol no rio Yacuma, na Amazônia boliviana

O estado boliviano foi fundado sob o nome de República Bolívar em homenagem a seu libertador, Simón Bolívar. Posteriormente, foi modificada a proposta do deputado de Potosí, presbítero Manuel Martín Cruz, que argumentou com a seguinte frase: "Se de Rômulo, Roma; de Bolívar, Bolívia".[5] A nova república adotou oficialmente o nome de Bolívia em 3 de outubro de 1825.[5] Do mesmo modo, a Assembleia Deliberante nomeou o libertador Bolívar como primeiro presidente da república, o qual a chamou de filha predileta. Após a designação do país com seu nome, Bolívar fez a seguinte declaração:

Cquote1.svg Meu desespero aumenta ao contemplar a imensidão de vosso prêmio, porque depois de haver esgotado os talentos, as virtudes, o gênio mesmo do maior dos heróis, todavia seria eu indigno de merecer o nome que haveis querido dar, o meu! Falarei eu de gratidão, quando ela jamais conseguirá expressar nem suavemente o que experimento por vossa bondade que, como a de Deus, passa todos os limites! Sim: somente Deus tinha o poder para chamar essa terra Bolívia… Que quer dizer Bolívia? Um amor desenfreado de liberdade, que ao receber vosso arroubo, não vejo nada que fosse igual a seu valor. Sem encontrar em vossa embriaguez uma demonstração adequada à veemência de seus sentimentos, arrancou vosso nome, e deu o meu a todas vossas gerações. Este, que é sem precedentes na história dos séculos, o é ainda mais na dos desprendimentos sublimes. Tal característica mostrará aos tempos que estão no pensamento do Eterno, o que anseia a posse de vossos direitos, que é a posse de exercer as virtudes políticas, de adquirir os talentos luminosos, e o gozo de serem homens. Este traço, repito, provará que vós éreis dignos a obter a grande benção do Céu — a Soberania do Povo — única autoridade legítima das Nações.[5] Cquote2.svg

  História

  Pré-história

  Ruínas da Cultura Tiwanaku

O território boliviano é habitado há mais de 12 000 anos. No local, foram formadas várias culturas, principalmente nos Andes, destacando-se, especialmente ,a cultura Tiwanaku e os reinos aymaras posteriores à expansão Wari. Estes reinos foram, por sua vez, anexados ao império Inca no século XIII.

A cultura Tiwanaku se desenvolveu em torno do centro cerimonial homônimo próximo ao lago Titicaca. A sua fundação ocorreu provavelmente antes do ano 300. Posteriormente, a cultura inca estabeleceu um vasto império no século XV, pouco antes da chegada dos espanhóis. Durante esse século, a Bolívia esteve ocupada por vários grupos de língua aimará (collas, pacajes, lupacas, omasuyos), destacando-se os collas, que dominaram un vasto território e que lutaram com os falantes de língua quíchuas de Cusco pelo controle da região. Os collas foram derrotados pelo inca Pachacuti, que se apoderou de quase todo o planalto boliviano. A Bolívia constituiu, durante quase um século, uma das quatro grandes divisões do Tahuantinsuyo (império inca) sob o nome de Collasuyo. Estas antigas civilizações deixaram grandes monumentos arquitetônicos e, atualmente, as línguas aimará e quíchua são muito difundidas no país.

  Descobrimento e conquista

  Diego de Almagro foi o primeiro europeu a chegar ao atual território da Bolívia

O primeiro europeu a chegar ao atual território da Bolívia foi Diego de Almagro em 1535, depois de partir de Cuzco a fim de conquistar o Chile. Com a morte de Almagro, Francisco Pizarro enviou seu irmão Gonzalo Pizarro para colonizar a província de Collao (Collasuyo). Pedro de Anzúriz fundou Chuquisaca (atual Sucre) em 1538, Potosí surgiu em 1546, La Paz em 1548 e Cochabamba em 1574.

A fundação espanhola se caracterizou por apresentar uma base mineiro-agrícola. A cidade de Potosí, a mais populosa da América em 1574 (120 000 habitantes), se converteu em um grande centro mineiro pela exploração das minas de prata do cerro Rico e, em 1611, era a maior produtora de prata do mundo.

O rei Carlos I havia outorgado a esta cidade o título de vila imperial depois de sua fundação.

Durante mais de duzentos anos, o território da atual Bolívia constituiu a Real Audiência de Charcas, um dos centros mais prósperos e densamente povoados dos vice-reinados espanhóis.

Potosí começou o seu declínio nas últimas décadas do século XVIII, ao levar a mineração da prata a um estado de estagnação, como consequência do esgotamento das veias mais ricas, das antiquadas técnicas de extração e do desvio do comércio para outros países.

Em 1776, a Real Audiência de Charcas, que até então fazia parte do Vice-Reino do Peru, foi incorporada ao Vice-Reino do Rio da Prata.

  Independência

  O Libertador Simón Bolívar, primeiro presidente boliviano
  Antonio José de Sucre, segundo presidente boliviano

As sublevações de Chuquisaca e La Paz foram o ponto de partida das guerras de independência. O país se declarou independente em 6 de agosto de 1825 com o nome de República de Bolívar, que foi alterado para República de Bolivia.

Em 1826, o libertador Simón Bolívar outorgou ao país a primeira constituição, que foi aprovada pelo congresso de Chuquisaca. Antonio José de Sucre, grande marechal de Ayacucho, foi eleito presidente da república da Bolívia.

Cquote1.svg O General Sucre é o Pai de Ayacucho: é o redentor dos filhos do Sol; é o que quebrou as correntes com que envolveu Pizarro o império dos Incas. A posteridade representará a Sucre com um pé no Pichincha e o outro no Potosí, levando em suas mãos o berço de Manco-Capac e contemplando as correntes do Peru quebradas por sua espada. Cquote2.svg
Símon Bolívar

Desde o início de sua existência como nação independente, a Bolívia viveu quase em um estado crônico de revoluções e guerras civis e, durante os cinquenta anos seguintes, os intervalos de estabilidade política foram breves e infrequentes. Em 1837, a Bolívia se uniu ao estado Norte-peruano e ao estado Sul-peruano para formar um novo estado, a confederação Peru-boliviana, que desapareceu dois anos depois, em 1839, pela oposição e declaração de guerra da confederação Argentina, do Chile e de um exército de restauradores peruanos.

Em 1839, a batalha de Yungay definiu a dissolução da confederação Peru-boliviana.

  Conflitos limítrofes

  Morte do presidente Gamarra em Ingavi

Os conflitos limítrofes da Bolívia começaram desde muito cedo. O primeiro de grande importância (que inclusive chegou a ser uma ameaça para a independência) foi a invasão pelo Peru realizada em 1828, com Agustín Gamarra à frente. Houve batalhas e o exército peruano ocupou a maior parte do oeste boliviano. A guerra terminou com a assinatura do tratado de Piquiza e a retirada peruana do solo boliviano.

Depois desse conflito, chegou ao poder na Bolívia o marechal de Zepita, Andrés de Santa Cruz, que foi capaz de organizar, modernizar e instruir em táticas napoleônicas o exército boliviano. A eficácia da reforma no exército foi vista na invasão feita no Peru ante o pedido de ajuda de Luis José de Orbegoso y Moncada. A Bolívia saiu vitoriosa na invasão e fuzilou Felipe Santiago Salaverry, criando de fato a confederação Peru-boliviana.

Em 1836, iniciou-se a confederação dos estados Norte-peruano, Sul-peruano e Bolívia, mas, por interesses econômicos do Chile, de parte de peruanos contrários e por interesses territoriais da confederação Argentina (questão de Tarija), foi produzida uma guerra em duas partes de 1837 a 1839. Na primeira, a confederação saiu vitoriosa, produzindo o tratado de Paucarpata, mas, na segunda, se produziu a batalha de Yungay e a confederação foi dissolvida.

Pela parte argentina, a Bolívia, com o general alemão Otto Philipp Braun, comandante da frente boliviana, concentrou suas tropas em Tupiza e, em fins de agosto de 1837, ingressou na província de Jujuy. Os soldados confederados tiveram várias vitórias, chegando a ocupar setores fronteiriços das províncias de Jujuy e Salta. Ante a uma série de contra-ataques argentinos, estes invadiram o território boliviano. Os argentinos foram derrotados na batalha de Montenegro, mais conhecida na Argentina por batalha da Costa de Coyambuyo. Em 22 de agosto de 1838, Heredia ordenou a retirada e, depois de Yungay, as forças bolivianas evacuaram os setores fronteiriços que mantinham ocupados.

Depois da confederação Peru-boliviana, na Bolívia e no Peru se produziu um período de anarquia entre partidários e críticos da união dos dois países e por interesses políticos. No Peru, Gamarra foi o presidente, mas teve que controlar os possíveis usurpadores do poder. Na Bolívia, sucederam-se golpes de líderes. Gamarra tentou aproveitar-se disto para invadir a Bolívia e anexá-la, mas os bolivianos decidiram unir-se a um inimigo comum e deram os poderes do estado a José Ballivián.

Gamarra invadiu a Bolívia, ocupou várias zonas do departamento de La Paz mas foi derrotado ao morrer na batalha de Ingavi. Depois da batalha, os bolivianos invadiram o Peru, mas firmaram o tratado de Puno e se retiraram.

  Perdas territoriais

  Territórios perdidos pela Bolívia por guerras ou diplomacia, segundo a historiografia boliviana

Em 1866 e 1874, foram firmados tratados para resolver o litígio com o Chile sobre o deserto de Atacama, rico em depósitos de nitratos de sódio e de cobre. Nesses tratados, adotou-se como linha limítrofe entre Chile e Bolívia o paralelo 24º de latitude sul. Foram outorgados ao Chile diversos direitos alfandegários e concessões de exploração mineral a empresários chilenos no Atacama boliviano. Estas últimas disposições originaram o litígio entre os dois países, já que o estado boliviano não respeitou os acordos alfandegários, incrementando o imposto à extração de salitre às companhias salitreiras de capital chileno-britânico. Em 1879, o Chile ocupou o porto boliviano de Antofagasta, iniciando a chamada guerra do Pacífico, na qual a Bolívia e seu aliado Peru foram derrotados pelo Chile. Ao ser despojada de sua única possessão litoral, a Bolívia deixou de ter saída para o mar. O litoral boliviano abarcava, aproximadamente, 158 000 km² e, além de Antofagasta, contava com os portos maiores de Mejillones, Cobija e Tocopilla. Em 1904, foi ratificado um tratado de paz e amizade que reconheceu o domínio perpétuo do território em litígio por parte do Chile, enquanto garantiu à Bolívia o livre acesso ao mar.

A Bolívia manteve, também, uma guerra com o Brasil pelo território do Acre que concluiu com a cessão de 191 000 km² a este país em troca de uma indenização econômica e uma pequena compensação territorial. Além desses, teve conflitos territoriais por questão de limites com a Argentina, o Peru e o Paraguai.

A solução pacífica do litígio com a Argentina foi atingida em 1925. Em 1930, Peru e Bolívia nomearam uma comissão conjunta para delimitar a fronteira e solucionar o litígio sobre a península de Copacabana.

  Fronteira Bolívia-Chile

O problema fronteiriço boliviano-paraguaio se centrou sobre o Chaco boreal, uma zona de terras baixas situada ao norte do rio Pilcomayo e a oeste do rio Paraguai, que se estende pela disputada fronteira de Bolívia. Os dois países reclamavam o território em sua totalidade. Em julho de 1932, eclodiu a guerra do Chaco, conflito não declarado que durou três anos e no qual morreram 50 000 bolivianos e 35 000 paraguaios. Em julho de 1938, foi firmado o tratado de paz, segundo o qual o Paraguai ficava com 75% da região do Grande Chaco. Foi o maior conflito bélico da história boliviana: em três anos de contínuas lutas e perdas, a Bolívia sofreu um contínuo retrocesso que, finalmente, concluiu-se em Villamontes, onde os fortes cordilheiranos ajudaram o exército da Bolívia a deter o avanço paraguaio.

Desde a fundação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, a Bolívia solicitou à Assembleia Geral para que considerasse sua petição de recuperar una saída livre e soberana para o oceano Pacífico. Também apresentou o assunto na Organização dos Estados Americanos (OEA). Em 1953, o Chile concedeu à Bolívia um porto livre em Arica, garantindo a esta direitos alfandegários especiais e instalações de armazenamento.

  Revolução de 1952

Durante as eleições presidenciais de maio de 1951, o líder exilado do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Víctor Paz Estenssoro, alcançou quase a metade dos votos expressos. No entanto, na ausência de um vencedor claro, o congresso devia eleger o presidente entre o três candidatos mais votados. Com a finalidade de impedir a eleição de Paz Estenssoro, o presidente Mamerto Urriolagoitia renunciou e entregou o governo a uma junta militar que nomeou como seu chefe o general Hugo Ballivián; em abril de 1952, foi derrubado pelo MNR.

Paz Estenssoro regressou do exílio para assumir a presidência. Sob sua orientação, o governo lançou um amplo programa de reformas econômicas, decretou a nacionalização das minas e o monopólio da exportação de estanho. No decurso de 1954, foi realizada a reforma agrária (parcelamento de terras para distribuir entre os indígenas), incentivou a prospecção de poços petrolíferos por empresas estrangeiras, instituiu o voto universal e realizou uma reforma educacional.

No final da década de 1950 e início da década de 1960, a economia boliviana sofreu com a queda dos preços do estanho no mercado mundial e com altos índices de inflação. As minas de estanho não eram rentáveis e os esforços do governo para reduzir o número de trabalhadores empregados e restringir os salários encontrou forte resistência dos sindicatos. A constituição boliviana, que não contemplava a reeleição, impediu que Paz Estenssoro se candidatasse às eleições de 1956, mas seu vice-presidente Hernán Siles Zuazo, filho de Hernando Siles, as venceu como candidato do MNR.

Siles continuou com a política iniciada pelo governo de Paz Estenssoro, que voltou a ser eleito em 1960. Paz solicitou a redação de uma nova Constituição, que aumentaria a autoridade econômica do governo e permitiria a reeleição. Em 1964, foi reeleeito, nomeando como vice-presidente o general René Barrientos, chefe da Força Aérea e candidato de direita. Muitos dos antigos colaboradores de Paz o abandonaram, denunciando que o MNR havia esquecido sua política revolucionária. O governo de Paz Estenssoro foi derrubado um mês depois de sua reeleição em consequência do levante protagonizado pelos mineiros e estudantes. Tomou o poder uma junta militar encabeçada por René Barrientos.

  Governos militares

  Selo com a imagem de Carlos Hugo Bánzer Suárez, 65º e 79º presidente da Bolívia

O governo militar realizou uma política de reformas econômicas conservadoras, como a reabertura da indústria de minas de estanho ao investimento privado estrangeiro. Em julho de 1966, René Barrientos foi eleito presidente já como civil. No entanto, se viu forçado a depender dos militares para lidar com os movimentos guerrilheiros que haviam começado a atuar nas regiões montanhosas.

Em outubro de 1967, o exército boliviano anunciou ter derrotado os rebeldes num local próximo à aldeia de Vallegrande. Havia sido capturado no campo de batalha Ernesto Che Guevara, sendo pouco depois executado. Barrientos morreu em um estranho acidente de helicóptero em abril de 1969. Sucederam-se no poder uma série de governos de curta duração, a maioria militares, e em agosto de 1971 o governo do general Juan José Torres foi derrubado por um golpe de Estado encabeçado pelo coronel Hugo Banzer.

O regime de Banzer passou rapidamente de uma posição relativamente moderada a uma de maior repressão: aboliu o movimento trabalhista, suspendeu todos os direitos civis e enviou tropas aos centros de mineração. En 1978, Banzer renunciou e uma junta militar tomou o poder.

No início da década de 1980, o forte crescimento econômico da década anterior — que havia sido sustentado pelos altos preços do estanho no mercado mundial — levou o país à crise. A queda do preço do mineral e a má administração dos regimes militares haviam deixado a Bolívia com uma imensa dívida, uma situação hiperinflacionária e um declínio das receitas por exportações. A exportação ilegal de cocaína foi o principal recurso de divisas, até que os Estados Unidos pressionaram o governo da Bolívia para que tomasse medidas eficazes contra o tráfico desta droga.

Em 1980, o general Luis García Meza e seu vice Luis Arce Gómez com apoio ativo da ditadura militar argentina e a ação de um comando terrorista denominado Novios de la Muerte[6][7] e organizados pelo criminoso nazista Klaus Barbie, deram um golpe de estado para evitar a eleição de Hernán Siles Suazo como presidente democrático.[7]

Em 1982, ele foi afastado da última junta militar que governava o país para reinstaurar a democracia.

  Governos democráticos

  Evo Morales, atual presidente da Bolívia

Hernán Siles Zuazo chegou ao governo em 10 de outubro de 1982 apoiado na Unidade Democrática e Popular (UDP), aliança que havia formado no fim da década de 1970 entre seu Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), o Movimento Nacionalista Revolucionário de Esquerda (MNR) e o Partido Comunista da Bolívia (PCB). Seu governo durou até 1985. Foi seguido pelo governo de Víctor Paz Estenssoro (1985-1989) do MNR.

Em 1989, assumiu Jaime Paz Zamora, do MIR, com apoio da Ação Democrática Nacionalista(ADN). Gonzalo Sánchez de Lozada, do MNR, assumiu de 1993-1997 e posteriormente Hugo Banzer Suárez (1997-2001), recebendo o apoio do ex-presidente Jaime Paz Zamora, que desta maneira devolvia o favor por respaldar com seus deputados da ADN a governabilidade do país durante seu mandato. Banzer morreu antes de terminar seu mandato, sendo substituído por seu vice-presidente Jorge Quiroga Ramírez (2001-2002).

Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003) iniciou um segundo mandato, abreviado por uma revolta popular, e foi sucedido por seu vice-presidente Carlos Mesa (2003-2005). Este também foi derrubado pelos motins, assumindo Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006), como interino. Na eleição presidencial realizada em 18 de dezembro de 2005, Juan Evo Morales Ayma (do partido Movimiento ao Socialismo, com o acrônimo em espanhol MAS, significando "mais") foi eleito com 53,7% dos votos, com mandato até 2010.

Antes de sua posse oficial em La Paz, Morales tomou posse em um ritual aimará simbólico no sítio arqueológico de Tiwanaku perante uma multidão de milhares de pessoas e representantes de movimentos de esquerda de toda a América Latina. Desde a conquista espanhola no início do século 16, esta região da América do Sul, com uma maioria da população nativa, tem sido governado principalmente por descendentes de europeus, com esparsos períodos de governantes mestiços. Morales, um aimará, afirmou que os 500 anos de colonialismo terminaram e que a era da autonomia já começou.

Em 1 de maio de 2006, Morales anunciou a sua intenção de renacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos ativos. Embora afirmando que a iniciativa não seria uma expropriação, Morales enviou tropas para ocupar 56 instalações de gás simultaneamente. Tropas também foram enviadas para duas refinarias de propriedade da Petrobras na Bolívia, que fornecem mais de 90% de capacidade de refino da Bolívia. Um prazo de 180 dias foi anunciado para que todas as empresas estrangeiras de energia fossem obrigados a assinar novos contratos que dão a Bolívia participação majoritária e até 82% das receitas (o último para os maiores campos de gás natural). Todas essas empresas assinaram contratos. Relatórios do governo boliviano e das empresas envolvidas são contraditórios quanto aos planos de investimentos futuros. De longe, o maior cliente de hidrocarbonetos boliviano foi Brasil, que importa dois terços do gás natural da Bolívia através de gasodutos operados pela Petrobras. Uma vez que o gás só pode ser exportado da Bolívia através de grandes (e caros) gasodutos da Petrobras, o governo boliviano e a empresa estão fortemente ligados. A Petrobras anunciou planos de produzir gás natural para substituir o agora fornecido pela Bolívia até 2011.

  Geografia

  Cordilheira dos Andes na Bolívia

Juntamente com o vizinho Paraguai, a Bolívia é um dos dois únicos países das Américas que não possuem saída para o mar. O ocidente da Bolívia está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6542 metros. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas e coberto pela floresta úmida da Amazônia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru. No ocidente, no departamento de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo.

As cidades principais são La Paz, Sucre, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba.

A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul, localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semi-desértico nos meses de seca. A nordeste da bacia do Titicaca, visualizam-se montanhas extremamente altas de 3 000 a 6 500 metros. As montanhas de mais altitude caem em ângulos praticamente retos até se transformarem em planícies.

Os Andes atingem a Bolívia e se dividem em duas grandes cadeias, a Oriental e a Ocidental. Nota-se que a cordilheira Ocidental é formada por vulcões inativos ou extintos, e suas rochas são formadas de lava vulcânica petrificada. A altitude máxima é de 3 700 m, com 800 km de comprimento e 130 km de largura. A cordilheira Oriental é composta de diversos tipos de rochas e areia.

Principais elevações da Bolívia
Colocação Nome Departamento Elevação (m) Colocação Nome Departamento Elevação (m)

Nevado Sajama
Nevado Sajama
Huayna Potosí
Huayna Potosí
Ollagüe
Vulcão Ollagüe

1 Nevado Sajama Flag of oruro.svg Oruro 6.542 11 Chaupi Orco Flag of lapaz.svg La Paz 6.040
2 Illampu Flag of lapaz.svg La Paz 6.485 12 Uturuncu Flag of potosi.svg Potosí 6.008
3 Illimani Flag of lapaz.svg La Paz 6.462 13 Candelaria Flag of oruro.svg Oruro 6.000
4 Ancohuma Flag of lapaz.svg La Paz 6.427 14 Cerro Capurata Flag of oruro.svg Oruro 5.990
5 Parinacota Flag of oruro.svg Oruro 6.362 15 Sairecabur Flag of potosi.svg Potosí 5.971
6 Pomerape Flag of oruro.svg Oruro 6.240 16 Cerro Lípez Flag of potosi.svg Potosí 5.929
7 Chearoco Flag of lapaz.svg La Paz 6.127 17 Licancabur Flag of lapaz.svg La Paz 5.920
8 Huayna Potosí Flag of lapaz.svg La Paz 6.088 18 Cerro Columa Flag of oruro.svg Oruro 5.876
9 Chachacomani Flag of lapaz.svg La Paz 6.074 19 Vulcão Ollagüe Flag of potosi.svg Potosí 5.863
10 Acotango Flag of oruro.svg Oruro 6.052 20 Cerros de Tocorpuri Flag of potosi.svg Potosí 5.808
As altitudes são segundo o Instituto Geográfico Nacional (IGN).

  Demografia

  Pessoas vestidas para um Festival em Sucre.

A população da Bolívia é composta de quíchuas 30%, aimarás 25%, eurameríndios 15%, europeus ibéricos 15% e outros 15% (1996).

Os idiomas oficiais são o espanhol, o quíchua e o aimará.


  Política

Estado Boliviano
Evo morales 2 year bolivia Joel Alvarez.jpg
Presidente Evo Morales Ayma
Palacio del Congreso Nacional La Paz Bolivia.jpg
Vista da Cúpula do Congresso Nacional da Bolívia que junto ao Palácio Quemado se encontram em La Paz, sede do governo.
Palacio de Justicia o de Gobierno Sucre (Bolivia).jpg
Palácio da Corte Suprema de Justiça, Sucre

A constituição da Bolívia de 1967, revista em 1994, prevê um sistema equilibrado entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. O tradicionalmente forte executivo, no entanto, tende a deixar na sombra o Congresso, cujo papel está em geral limitado a debater e aprovar legislação originária do executivo. O judiciário, composto pelo Supremo Tribunal e por tribunais departamentais e inferiores, é há muito corroído por corrupção e ineficiência. Através de revisões na constituição, feitas em 1994, e de leis subsequentes, o governo iniciou reformas potencialmente profundas, nos sistema e processos judiciários.

Os nove departamentos da Bolívia receberam maior autonomia pela lei de Descentralização Administrativa de 1995, embora os principais dirigentes departamentais continuem a ser nomeados pelo governo central. As cidades e vilas bolivianas são governadas pelos presidentes de câmara e por conselhos diretamente eleitos.

Em 5 de Dezembro de 2004, foram realizadas eleições dos membros dos conselhos municipais, com mandato de 5 anos. A Lei de Participação Popular, de Abril de 1994, que distribui uma porção significativa das receitas nacionais entre as autarquias, para seu uso discricionário, permitiu que comunidades anteriormente negligenciadas obtivessem grandes melhoramentos nas suas infra-estruturas e serviços. Apesar desse sistema, a Bolívia apresenta problemas de ordem socioeconômica muito intensos, agravados pela pobreza da maior parte do país.

A Bolivia é oficialmente um estado unitário democrático organizado segundo a separação de poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral) e de maneira descentralizada e presidencialista. O Estado se rege segundo a Constitução Política da Bolívia[8] aprovada em 7 de fevereiro do ano de 2009, que entrou em vigor neste mesmo ano.

  Poder Executivo

O poder executivo é encabeçado pelo presidente da república. Este cargo é exercido por Evo Morales Ayma, membro do partido Movimiento al Socialismo. O executivo é, tradicionalmente, o poder mais forte na política boliviana, tendendo a deixar em segundo plano a participação do congresso, cuja atividade se limita a debater e a aprovar as iniciativas legislativas do presidente.

O presidente da Bolívia, eleito a cada cinco anos, é chefe de estado e de governo e nomeia o gabinete de ministros.

  Governo Departamental

Os governadores de cada departamento (chamados prefeitos) são eleitos democraticamente porém com regras diferentes das eleições nacionais e municipais. A variação consiste em que o candidato mais votado, seja por maioria simples ou absoluta, será eleito automaticamente prefeito. Alguns acreditam que, apesar das mudanças operadas, o processo de descentralização boliviano é incompleto, já que a Assembleia Constituinte é quem deixará claro os poderes e limitações dos prefeitos eleitos pela primeira vez pelo voto direto.

  Municipalidades

Os municípios são governados por prefeitos e conselhos eleitos diretamente pelo povo.

  Poder legislativo

O Poder Legislativo constituído por duas câmaras, é presidido pelo vice-presidente do governo, atualmente Álvaro García Linera:

A Câmara de Senadores tem 27 membros, três representantes de cada departamento, dois deles do partido que recebe a maioria de votos e o terceiro do partido que ficou em segundo lugar. Os senadores são eleitos de listas partidárias para um período de cinco anos. A idade mínima para candidatar-se a tais cargos é de 35 anos.

A Câmara de Deputados tem 130 membros: 68 deputados são eleitos por votação direta para representar um distrito eleitoral e os outros 62 são eleitos por representação proporcional por meio de listas de cada partido em distrito único de todo o país. Os deputados também tem um mandato de cinco anos e devem ter no mínimo 25 anos completos no dia da eleição.

  Poder judiciário

Os membros da Corte Suprema da Bolívia são eleitos para um mandato de dez anos pelo Congresso Nacional.

  Fronteiras

Fronteiras
Bolivia rel93.jpg
País Terrestre Fluvial Total
Argentina 471 302 773
Brasil 750 2.673¹ 3.423
 Chile 830 20 850
Paraguai 634 57 741
 Peru 513 534² 1.047
Terrestre 3.469
Fluvial 3.579
Total 6.834
Notas:

1 = Dos 2673 km fluviais da fronteira Bolívia-Brasil, 95 km são lacustres
2 = Dos 534 km fluviais da fronteira Bolívia-Peru, 150 km são no lago Titicaca.

A Bolívia limita-se a norte e leste com o Brasil. A leste-sudeste com o Paraguai, a sul com a Argentina, a sul e oeste com o Chile e a oeste com o Peru. O perímetro total das fronteiras alcança 6834 km.

  Boliviamar

Durante uma visita diplomática ao Peru, o presidente Jaime Paz Zamora e seu homólogo peruano, Alberto Fujimori, chegaram a um acordo com esta nação para a cessão de um pequeno território de 5 km de costa e uma extensão territorial de 163,5 ha (1,635 km²) chamada Boliviamar[9] por um período de 99 anos renováveis desde 1992, depois dos quais toda construção e o território passam novamente ao Peru.

No acordo, a Bolívia utilizaria uma zona franca do porto de Ilo para sua administração e funcionamento.

Boliviamar é uma praia que faz parte do projeto de desenvolvimento turístico firmado entre Peru e Bolívia em 24 de janeiro de 1992, e se encontra exatamente a 17 km da cidade de Ilo, na via costeira que une os departamentos de Tacna e Moquegua.

A Bolívia também utiliza los portos de Maratani e Mollendo, do Peru.

  Acesso ao oceano Atlântico pelo rio Paraná

A Bolívia possui instalações portuárias na "Zona Franca da Bolívia" em Rosário, desde 1964, porém em total estado de abandono. Dada a necessidade urbana, planeja-se sua tranferência para a Villa Constitución, dentro da província de Santa Fé.

  Política exterior

  Bandeira do Mercosul, do qual a Bolívia é um estado associado

A história da política exterior boliviana é marcada por conflitos com países vizinhos, como o Chile, Peru e Paraguai. A Bolívia chegou a perder territórios para estes três países através de guerras, como a Guerra do Pacífico (século XIX) e a Guerra do Chaco. A Bolívia também perdeu territórios para o Brasil, que incluiu enfrentamentos militares sem que ocorresse uma guerra formal. Atualmente a Bolívia ainda mantém disputas fronteiriças e reivindicações territoriais com Chile e Peru. Estas reivindicações territoriais mantém algum grau de tensão política permanente com estes dois países vizinhos.

A política exterior atual reflete uma marcada tendência a metas tais como o desenvolvimento social, a luta contra a pobreza, a modernização institucional, a captação de cooperação externa e investimentos estrangeiros e o combate ao narcotráfico.

No campo da integração comercial, o país busca desempenhar unm rol especial nos esforços para a conformação de um espaço integrado entre a Comunidade Andina e o Mercosul. Na área da integração energética, o país aspira converter-se no centro de distribuição e integração energética na América do Sul. Por último, na área da integração física, executam-se ações que se orientam ao desempenho de um papel significativo na união dos oceanos Pacífico e Atlântico, mediante a planificação dos corredores de exportação.

É país membro das Nações Unidas e de alguns de seus organismos especializados e programas afins, como a OEA, a Comunidade Andina de Nações, Intelsat, o Movimento de Países Não-Alinhados, a União Interparlamentar Internacional, a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), a Organização Mundial do Comércio, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o Grupo do Rio, o Pacto Amazônico, do Mercosul e da UNASUL.

Como resultado da Cúpula das Américas realizada em 1994, a Bolívia foi sede de uma conferência cúpula hemisférica para o desenvolvimento sustentável em dezembro de 1996.

A política exterior da Bolivia tem um forte viéis político-diplomático regional e um importante componente econômico-comerical, já que teve uma participação mais ativa na Organização dos Estados Americanos (OEA), o Grupo do Rio, tem uma histórica relação com a CAN e vem se tornando mais importante sua relação com o Mercosul, havendo firmado com este um acordo de associação em 1996. A Bolívia promove suas políticas de desenvolvimento sustentável e em prol da habilitação do povo indígena.

  Comunidade Andina

A Bolívia pertenece à CAN (Comunidade Andina de Nações), uma pessoa jurídica de direito internacional integrada pela Colômbia, Equador, Peru e Venezuela (em processo de desvinculação), junto com os órgaos e instituções do Sistema Andino de Integração (SAI). Antes de 1996, era conhecida como o Pacto Andino ou Grupo Andino.

A Comunidade Andina ou Comunidade Andina de Nações (CAN) é uma organização regional econômica e política com entidade jurídica internacional criada pelo Acordo de Cartagena em 26 de maio de 1969. Tem sede em Lima, Peru. A debilitação da CAN, principalmente pela saída da maior economia do bloco, a Venezuela (em 2006) e ao fortalecimento do processo de aproximação comercial com o Mercosul, especialmente com o Brasil, somado ao aumento da influência política venezuelana e brasileira sobre o atual governo da Bolívia, existe uma forte intenção do governo em integrar-se definitivamente ao Mercosul.[10]

  Crise e instabilidade política

Algumas das mudanças políticas implementadas pelo governo Evo ampliaram as tensões entre o governo federal e os departamentos. A mudança mais polêmica e de maior repercussão talvez tenha sido a mudança na Lei Nº 3058, de 17 de maio de 2005, conhecida como Lei dos Hidrocarbonetos, que modificou a distribuição dos royalties do petróleo e do gás. A renda advinda da exploração destes recursos ficava com os departamentos e foi federalizada, o que gerou fortes embates entre o governo e as províncias mais ricas em ambos, como Santa Cruz.

As tensões foram intensificadas nos últimos anos e surgiram pressões por maior autonomia, notadamente da parte dos departamentos mais ricos (Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando), que inicialmente defendiam a mudanças na distribuição dos impostos e a escolha dos seus próprios governantes - à maneira de uma federação, como o México ou o Brasil,[11][12] ameaçando a conflagração de uma guerra civil[13] entre as duas grandes regiões da Bolívia.

O separatismo na Bolívia, identificado com o projeto de criação da nação Camba[14] e ligado a organizações locais de Santa Cruz, como a União Juvenil Cruzenha e o Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, passou a buscar apoio externo internacional, encontrando respaldo em alguns governos de direita opositores a Evo Morales ou a seus aliados. A polarização política da crise boliviana tornou-se mais complexa à medida que passou a se pautar pela polarização ideológica do continente sul-americano, com o governo Evo Morales recebendo apoio direto de Hugo Chávez e os separatistas sendo apoiados indiretamente pela Colômbia e, mais discretamente, pelos Estados Unidos durante o período do governo George W. Bush.

Segundo o governo boliviano, os separatistas de Santa Cruz também teriam recebido apoio direto da diplomacia estadunidense durante o governo Bush. As autoridades do país chegaram a expulsar o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, após este ter se reunido sucessivas vezes com os separatistas.[15][16]

Mais recentemente, o diplomata Francisco Martinez (igualmente indicado no período Bush), também foi expulso do país depois das acusações de ter continuando a ter contato com os movimentos separatistas.[17]

Após um suposto atentado contra o cardeal primaz da Bolívia, Julio Terrazaso,[18] a polícia boliviana alegou ter destruído uma célula terrorista em Santa Cruz formada por mercenários estrangeiros[19] - alguns deles alegadamente com experiência na guerra civil da Iugoslávia.[20][21][22] O episódio do ataque terrorista ao gasoduto Brasil-Bolívia, em setembro de 2008, também acelerou o processo de isolamento político dos separatistas.[23]

Após o fim do governo Bush e o fim do apoio indireto até então fornecido pela diplomacia estadunidense, o separatismo arrefeceu em fins de 2008 e início de 2009. Foi decisiva a mobilização internacional, manifestada em sucessivas declarações da UNASUL de apoio à manutenção da ordem, da institucionalidade, da soberania e da integridade territorial da Bolívia.[24]

  Subdivisões

A Bolívia se subdivide em nove departamentos, 112 províncias, 327 municípios e 1.384 cantões, os quais obtiveram maior autonomia com a Lei da Descentralização Administrativa de 1995[nota 1].

Os municípios ocupam o terceiro-nível de subdivisões administrativas e abaixo deles, a Bolívia é dividida em cantões (cantones) que correspondem ao quarto-nível.

Divisão política
Departamento População Superfície (km²) Densidade (*) Capital
Departamentos de Bolivia.png
República da Bolívia 10.027.644 1.098.581 9,1 Sucre
Flag of beni.svg Beni 430.049 213.564 1,9 Trinidad
Flag of chuquisaca.svg Chuquisaca 631.062 51.524 11,9 Sucre
Flag of cochabamba.svg Cochabamba 1.786.040 55.631 22,7 Cochabamba
Flag of lapaz.svg La Paz 2.756.989 133.985 19,9 La Paz
Flag of oruro.svg Oruro 444.093 53.558 8,2 Oruro
Flag of pando.svg Pando 75.335 63.827 1,1 Cobija
Flag of potosi.svg Potosí 780.392 118.218 6,5 Potosí
Flag of santacruz.svg Santa Cruz 2.626.697 370.621 7,1 Santa Cruz de la Sierra
Flag of tarija.svg Tarija 496.988 37.623 12,5 Tarija
(*)= Todos os dados de população são projeções do Instituto Nacional de Estadística de Bolivia (INE) para 2008 [4]. A densidade departamental está calculada com a projeção da população de 2006.

Outras cidades importantes são (por departamento): La Paz: El Alto 827.000, Cochabamba: Quillacollo 90.000 Sacaba 127.000, Tarija: Yacuiba 90.000, Santa Cruz: Montero 90.000, Beni:
Riberalta 78.000.

  Economia

Exportações para Importações de
País Porcentagem País Porcentagem
Brasil 44,2 % Brasil 21.9 %
 Coreia do Sul 11,8 % Argentina 16.7 %
 Estados Unidos 6,9 %  Estados Unidos 13.8 %
Argentina 5,8 %  Chile 6.9 %
 Peru 5,7 %  Peru 6.5 %
Outros 25,6 % Outros 34.2 %

A Bolívia é, há muito tempo, um dos países mais pobres e menos desenvolvidos da América Latina, tendo feito, no entanto, progressos consideráveis no sentido do desenvolvimento de uma economia de mercado. Durante a presidência de Sánchez de Lozada (1993-97), a Bolívia assinou um tratado de comércio livre com o México e procedeu à privatização da linha aérea estatal, da companhia de telefone, das ferrovias, da companhia elétrica e da companhia petrolífera.

O crescimento abrandou em 1999, em parte devido a políticas orçamentais restritivas que limitaram os fundos necessários para programas de luta contra a pobreza, e às consequências da crise financeira asiática. No ano 2000, sérios distúrbios públicos em abril e entre setembro e outubro baixaram o crescimento para 2,5%. O PIB boliviano não cresceu em 2001 devido ao abrandamento global e à vagarosa actividade doméstica. Contudo o IDH da Bolívia apresentou um forte crescimento entre 2003 e 2007, quando aumentou 0,042 pontos, passando de 0,687 para 0,729.

Devemos lembrar também que a economia boliviana possui grande influência do Brasil: as atividades da Petrobras (estatal brasileira) no país são responsáveis por 18% do PIB e por 25% das arrecadações de impostos da Bolívia. No primeiro trimestre de 2009, com a crise econômica mundial, o PIB boliviano, que crescia em torno de seis por cento ano, passou a crescer 2,1%, devido à baixa demanda de gás no Brasil.

Já houve vários conflitos entre o governo boliviano e a Petrobras, sob o argumento de que a empresa brasileira teria uma atitude imperialista, devido ao monopólio da Petrobras sobre a extração de gás. Baseado neste argumento, o presidente Evo Morales ordenou a invasão das refinarias e postos de extração da Petrobrás pelo exército. O problema foi resolvido após um reajuste de preço do gás vendido para o Brasil: a revolta não durou muito porque não haveria um outro comprador para o gás boliviano que não o Brasil. Além do mais, a Bolívia não possuía a tecnologia de extração do gás.

  Infraestrutura

  Educação

A educação na Bolívia, assim como outros aspectos na vida dos bolivianos, tem uma divisão entre a área rural e a urbana. O analfabetismo rural se mantém alto, mesmo que o resto do país tenha aumentando o índice de alfabetização. Essa diferença é causada parcialmente pelo fato de que muitas crianças vivendo em áreas rurais são forçadas a contribuir economicamente para a renda familiar e, assim, torna-se muito mais improvável que frequentem a escola. Na média, as crianças da área rural frequentam a escola por 4,2 anos[carece de fontes?], enquanto as crianças da área urbana recebem educação por uma média de 9,4 anos. Uma diferença de gêneros também existe. O índice de alfabetização do país é de 86,7% é comparavelmente menor que os outros países da América do Sul.[carece de fontes?]

Os problemas da educação da Bolívia não são necessariamente atribuídos à falta de fundos. O país reserva 23% do seu orçamento anual para gastos educacionais, um percentual maior do que a maioria dos outros países da América do Sul, apesar de ter um orçamento nacional menor.

Uma reforma fez algumas mudanças significativas. Iniciada em 1994, a reforma descentralizou os fundos para educação para se adequar às diversas necessidades locais, melhorar o treinamento de professores e o currículo, formalizar e expandir a educação bilíngue e modificar o sistema de séries escolares. A resistência da união de professores, entretanto, tem atrasado a implementação de algumas partes da reforma.

  Transportes e comunicações

  LAB Boeing 727-200 (CP-1366)

O território da Bolívia está comunicado por vários meios de transporte:

O Aéreo com mais de catorze aeroportos internacionais como o de Santa Cruz de la Sierra, chamado Aeroporto Internacional Viru Viru o mais importante do país, o Aeroporto Internacional de Cochabamba de Cochabamba e o Aeroporto Internacional de El Alto de La Paz, além dos 1 072 aeroportos situados nas localidades mais importantes do país.

O sistema fluvial com mais de 14 000 km de rios navegáveis e uma série de portos marítimos situados nos diversos países com os que tem convênios de navegação, como Peru e Chile no Oceano Pacífico, e Argentina, Brasil e Paraguai com a hidrovia Paraguai-Paraná com saída ao Oceano Atlântico.

O sistema terrestre com mais de 49 900 km de rodovias e arredor de 4 600 km pavimentados formada por várias rotas nacionais, o resto de rodovias é de cascalho ou terra. Além de contar com um ramal da Rodovia Pan-americana que cruza todo o altiplano conectando-se assim com os países limítrofes. Conta assim mesmo com um sistema ferroviário dividido em dos redes: a Rede Oriental com 1 222 km, que se conecta com Brasil e Argentina e a Rede Ocidental com 2 318 km de longitude, que une ao país com Peru e Chile.

  Cultura

Dias festivos oficiais
Data Motivo
1 de janeiro Ano novo
Data móvel "Religiosa" (Semana anterior a Quaresma) Carnaval (2 dias)
19 de março Dia dos pais
23 de março Dia do mar
12 de abril Dia das crianças
Data móvel "Religiosa" (Semana Santa) Sexta-feira santa
1 de maio Dia do trabalho
27 de maio Dia das mães
15 de junho Corpus Christi
6 de agosto Aniversário do país
2 de novembro Dia de Todos-os-Santos
25 de dezembro Natal

A cultura da Bolívia tem muitas influências incas e de outros povos indígenas na religião, música e vestuário, como por exemplo os bem conhecidos chapéus de coco. A festa mais conhecida é o El Carnaval de Oruro, património cultural da UNESCO. O entretenimento mais comum é o futebol, desporto nacional, que é praticado quase em cada canto de rua. Os jardins zoológicos também são uma atracção popular.

Referências

  1. Em cumprimento ao estabelecido pela Constituição Política do Estado de 2009, deverá ser utilizada em todos os atos públicos e privados, nas relações diplomáticas internacionais, assim como a correspondência oficial a nível nacional e internacional, a denominação Estado Plurinacional de Bolivia, a partir de 18 de março de 2009 (segundo Decreto supremo nº 48, de 18 de março de 2009). A ONU reconheceu a nova denominação oficial do estado boliviano em 7 de abril de 2009.
  2. PNUD, http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3324&lay=pde, 05 de Outubro de 2009
  3. http://www.who.int/countries/bol/en/
  4. http://data.un.org/CountryProfile.aspx?crName=Bolivia%20(Plurinational%20State%20of)
  5. a b c La República de Bolivia. Jorge Mier Hoffman. Página visitada em 27 de janeiro de 2009.
  6. Nos Noivos da Morte atuavam também os terroristas italianos Stefano della Chiaie e Pierluigi Pagliani, que haviam dinamitado um trem em Bolonha e fugido para Bolívia com Marco Diodato e cobertura da CIA.
  7. a b Para no olvidar el golpe del 17 de julio de 1980, por Wilson García Mérida, Bolpres, 2006.
  8. Constituição Política da República da Bolívia(em espanhol).
  9. Vista de satélite no WikiMapia da Boliviamar situada próxima à cidade de Ilo (Peru).
  10. Mercosur plantea comisión para incluir a Bolivia (Los Tiempos)(em espanhol).
  11. VALENTE, Leonardo. Separatistas se armam na Bolívia em movimento que traz ameaças ao Brasil. O Globo, 29 de abril de 2007.
  12. SADER, Emir. O racismo separatista. Agência Carta Maior. 29/04/2008. [1]
  13. SEBBEN, Fernando D. O. (2008) Secessão Boliviana: Um Estudo de Caso sobre Conflito Regional. I Seminário Nacional de Ciência Política da UFRGS, 2008. UFRGS, Porto Alegre, RS.
  14. NaciónCamba.net.
  15. Evo pede expulsão de embaixador americano na Bolívia, 10 de agosto de 2008. (em português).
  16. Morales expulsa embaixador dos EUA na Bolívia, BBC Brasil, 10 de agosto de 2008..
  17. Bolívia expulsa diplomata dos EUA por "conspiração", O Estado de S. Paulo, 9 de março de 2008. (em português).
  18. Juiz ordena detenção de acusados terrorismo na Bolívia, Terra Notícias, 18 de abril de 2009..
  19. Interpol oferece ajuda para investigar suposto plano contra Morales, Folha Online, 17 de abril de 2009. (em português).
  20. Bolívia diz que 2 supostos terroristas estão foragidos, Terra Notícias, 22 de abril de 2009. (em português).
  21. Testemunha liga oposição a mercenários na Bolívia, O Estado de S. Paulo (em português).
  22. Vídeo confirmaria existência de plano para assassinar Evo Morales, Último Segundo. 26 de abril de 2009. (em português).
  23. Atentado contra gasoduto na Bolívia reduz envio de gás ao Brasil, Abril.com, 10/09/2008 [2]
  24. Unasul apóia Morales e rejeita divisão territorial da Bolívia, Jornal do Brasil, 16/09/2008 [3]

  Ver também

  Ligações externas

O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Bolívia
Portal A Wikipédia possui o
Portal da Bolívia
Bandeira da Bolívia Bolívia
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