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Economia da Coreia do Norte

                   
  Vista de Pyongyang, a capital e o maior centro comercial do país.

A Coreia do Norte tem uma economia industrializada, autárquica, e altamente centralizada. Dos cinco países socialistas restantes do mundo, a Coreia do Norte é um dos apenas dois (junto a Cuba) com uma economia inteiramente planejada pelo governo.

A política de isolação da Coreia do Norte faz com que o comércio internacional seja muito restrito, dificultando um potencial significativo do crescimento da economia. No entanto, devido à sua localização estratégica no Leste da Ásia, conectado à quatro maiores economias e tendo uma mão-de-obra barata e jovem e qualificada, é esperado que a economia da Coreia do Norte cresca de 6 a 7% anualmente "como os certos incentivos e medidas de reforma".[1]

Até 1998, as Nações Unidas publicavam o IDH e o PIB per capita da Coreia do Norte, que se situava em um nível médio de desenvolvimento humano em 0,766 (na 75º posição) e o PIB per capita de US$ 4 058.[2] A média salarial é de cerca de US$ 47 por mês.[3] Apesar dos problemas econômicos, a qualidade de vida está melhorando e os salários estão subindo constantemente.[4] Mercados privados de pequena escala, conhecidos como janmadang, existem em todo o país e fornecem à população comidas importadas e determinados commodities em troca de dinheiro, ajudando então a prevenir a grave fome.[5]

A economia da Coreia do Norte é completamente nacionalizada, o que significa que alimentos, habitação, saúde e educação são oferecidos pelo Estado gratuitamente.[6] A cobrança de impostos foi abolida desde 1º de abril de 1974.[7] A fim de aumentar a produtividade da agricultura e da indústria, desde os anos 1960, o governo norte-coreano introduziu inúmeros sistemas de gestão tais como o sistema de trabalho Taean.[8] No século XXI, o crescimento do PIB norte-coreano foi lento, porém constante, embora nos últimos anos, o crescimento gradualmente acelerou em 3,7% em 2008, o ritmo mais rápido em quase uma década, largamente devido a um forte crescimento de 8,2% no setor de agricultura.[9] Isto veio como uma supresa, dado que a maioria das economias reportaram um crescimento menor, devido à crise global financeira de 2008–2009.

Índice

  Economia setorial

Com base em estimativas de 2002, o setor dominante da economia norte-coreana é a indústria (43,1%), seguida pela prestação de serviços (33,6%) e a agricultura (23,3%). Em 2004, foi estimado que a agricultura empregou 37% da força de trabalho, enquanto a indústria e a prestação de serviços empregaram os restantes 63%.[10] As maiores indústrias incluem produtos militares, construção de máquinas, energia elétrica, produção química, mineração, metalurgia, produção têxtil, processamento de alimentos e turismo.

Crescimento anual do PIB[9][11]
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
1,3 % 3,7 % 1,2 % 1,8 % 2,2 % 1,0 % 1,6 % 1,8 % 3,7 %

Em 2005, a Coreia do Norte foi estimada pela FAO na 10ª colocação em produção de frutas frescas[12] e na 19ª na produção de maçãs.[13] O país tem importantes recursos naturais e é o 18º maior produtor de ferro e zinco do mundo, tendo a 22ª maior reserva de carvão do mundo. Também é o 15ª maior produtor de fluorita e o 12º maior produtor de cobre e sal na Ásia. Outras maiores reservas naturais em produção incluem: chumbo, tungstênio, grafita, magnesita, ouro, pirita, fluorita, e energia hidráulica.[10]

  Comércio exterior

  Granja coletiva, na província norte-coreana de Chagang.

A RPChina e a Coreia do Sul são os maiores doadores de alimentos da Coreia do Norte. Os Estados Unidos alegam que não doam alimentos devido à falta de supervisão.[14] Em 2005, a RPChina e a Coreia do Sul combinaram fornecer 1 milhão de toneladas de alimentos, cada um contribuindo metade.[15] Para além da ajuda alimentar, a RPChina fornece uma estimativa de 80 a 90 % das importações de óleo da Coreia do Norte a "preços amigáveis" que são nitidamente inferiores com preço do mercado mundial.[16]

Em 19 de setembro de 2005, a Coreia do Norte prometeu ajuda combustível e vários outros incentivos não-relacionados ao alimentício da Coreia do Sul, dos Estados Unidos, do Japão, da Rússia, e da RPChina em troca de abandonar o programa de armamento nuclear e regressar ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Fornecendo alimentos em troca de abandonar programas de armamentos foi, historicamente, evitado pelos Estados Unidos para não ser visto como um "usar comida como uma arma".[17] A ajuda humanitária dos vizinhos da Coreia do Norte foi cortada, por vezes, para provocar a Coreia do Norte a retomar negociações boiocotadas. Por exemplo, a Coreia do Sul teve a "consideração adiada" de 500 000 toneladas de arroz para o Norte em 2006, porém a ideia de fornecer alimentos como um claro incentivo (em oposição em retomar a "ajuda humanitária em geral") tem sido evitada.[18] Há também rompimentos da ajuda devido ao roubo generalizado de vagões usados pela RPChina para entregar ajuda alimentar.[19]

Em julho de 2002, a Coreia do Norte começou a experimentar o capitalismo privado na Região Industrial de Kaesong.[20] Um pequeno número de outras áreas foram designadas como Regiões Administrativas Especiais, incluindo Sinŭiju junto com a fronteira China-Coreia do Norte. A RPChina e a Coreia do Sul são os maiores parceiros comerciais da Coreia do Norte, sendo que o comércio com a RPChina aumentou 15% a US$ 1,6 bilhões em 2005, e o comércio com a Coreia do Sul aumento 50% a mais de 1 bilhão pela primeira vez em 2005.[17] É relatado que o número de telefones móveis em Pyongyang passou de apenas 3 000 em 2002 para aproximadamente 20 000 durante o ano de 2004.[21] Em junho de 2004, no entanto, os telefones móveis tornaram-se proibidos novamente.[22] Um pequeno número de elementos capitalistas estão gradualmente se espalhando da área experimental, incluindo cartazes de publicidades ao longo de certas estradas. Visitantes recentes reportaram que o comércio de fazendas cresceu em Kaesong e Pyongyang, bem como na fronteira RPChina-Coreia do Norte, ignorando o sistema de racionamento de alimentos.

Cada vez mais investimentos externos foram criados desde 2002.[23]

Em um evento chamado "incidente Pong Su", em 2003, um navio de carga norte-coreano, supostamente tentanto contrabandiar heroína da Austrália foi apreendido por oficiais australianos, reforçando suspeitas da Austrália e dos Estados Unidos de que Pyongyang se envolve no tráfico internacional de drogas. O governo norte-coreano negou qualquer envolvimento.[24]

  Turismo

O turismo na Coreia do Norte é organizado pela estatal Organização de Turismo ("Ryohaengsa"). Cada grupo de viajantes bem como visitantes/turistas individuais são permanentemente acompanhados por um ou dois "guias", que normalmente falam o idioma materno e o idioma do turista. Enquanto o turismo tem aumentado ao longo dos últimos anos, turistas de países ocidentais continuam poucos. A maioria dos turistas vem da RPChina, Rússia e Japão. Cidadãos russos da parte asiática preferem a Coreia do Norte como um destino turístico devido aos relativos baixos preços, falta de poluição e o clima mais quente. Para cidadãos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, é praticamente impossível obter um visto para a Coreia do Norte. Exeções a cidadãos estadunidenses são feitas para o Festival Arirang anualmente.

Na área envolta das montanhas Kŭmgangsan, a companhia Hyundai estabeleceu e opera uma área turistica especial. Também é possível para sul-coreanos e norte-americanos viajar para esta área, porém apenas em grupos organizados na Coreia do Sul. Uma região administrativa especial conhecida como Região Turística de Kumgang-san existe para este propósito. Viagens para esta região foram temporariamente suspensas desde que uma mulher sul-coreana, que passeava em uma zona militar foi morta a tiros por guardas da fronteira no final de 2008.[25]

  Fome

  Fotografia da Península Coreana à noite, tidas através de observações da DMSP. A disparidade dos níveis de iluminação é dita por alguns como indicador da diferença em desenvolvimento energético e econômico entre o Norte e o Sul.[26][27].

Na década de 1990, a Coreia do Norte sofreu perturbações econômicas significativas, incluindo uma série de desastres naturais, uma má gestão econômica e uma grave escassez de recursos, após o colapso do Bloco do Leste. Isto resultou em um déficit de produção de grãos de mais de 1 milhão de toneladas do que o país precisa para atender as exigências dietéticas mínimas.[28] A fome da Coreia do Norte, conhecida como "Marcha Árdua", resultou em mortes de entre 300 000 e 800 000 norte-coreanos por ano durante uma fome de três anos, atingindo em 1997, 2 milhões de mortos, sendo "a maior estimativa possível".[29] As mortes foram provavelmente causadas por doenças relacionadas à fome, como a pneumonia, a tuberculose, e a diarreia, ao invés da inanição.[29]

Em 2006, a Anistia Internacional informou que um inquérito alimentar nacional realizado pelo governo norte-coreano, o Programa Alimentar Mundial, e a UNICEF, viu que 7% das crianças eram gravemente desnutridas; 37% eram cronicamente desnutridas; 23,4% eram abaixo do peso; e uma dentre três mães foram desnutridas e/ou anêmicas, como resultado do efeito prolongado da fome. A inflação causada por algumas das reformas econômicas em 2002, incluindo a política de Songun, foi citada como causa do aumento dos preços das comidas básicas.[30]

A história da assistência japonesa à Coreia do Norte foi marcada por agitações, a partir de uma larga comunidade de norte-coreanos pro-Pyongyang no Japão para indignação pública sobre o lançamento de um míssil norte-coreano em 1998 e revelações sobre sequestros de cidadãos japoneses.[31] Em junho de 1995, um acordo foi alcançado, em que ambos os países deveriam agir conjuntamente.[31] A Coreia do Sul proporcionaria 150 000 MT de grãos em sacos sem marcação, e o Japão proporcionaria 150 000 MT gratuitamente e outros 150 000 em condições favoráveis.[31] Em outubro de 1995 e janeiro de 1996, a Coreia do Norte novamente se aproximou do Japão para obter assistência. Nessas duas ocasiões, as quais vieram em momentos cruciais na evolução da fome, a oposição da Coreia do Sul anulou suas promoções.[31] Iniciando em 1997, os Estados Unidos começou a enviar ajuda alimentar à Coreia do Norte, através do Programa de Alimentar Mundial das Nações Unidas, para combater a fome. Os envios atingiram, em 1999, cerca de 700 000 tons, fazendo dos Estados Unidos o maior doador externo para o país na época. Sob a administração de George W. Bush, a ajuda foi drasticamente reduzida ano após ano de 350 000 tons em 2001 para 40 000 em 2004.[32] A administração de Bush recebeu duras críticas por usar "comida como uma arma" durante conversas sobre o programa de armamento nuclear da Coreia do Norte, porém insistiu que os critérios da Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID) eram os mesmos para todos os países e que a situação da Coreia do Norte "melhorou significativamente desde seu colapso em meados dos anos 1990". A produção agricultural cresceu de cerca de 2,7 milhões toneladas métricas em 1997 para 4,2 milhões de toneladas métricas em 2004.[14]

Referências

  1. Ha, Michael. "[58 Anniversary] Major Changes Are Coming to N. Korea", The Korea Times, 2008-10-29. Página visitada em 2009-07-04.
  2. Human Development Report 1998. United Nations Development Programme (1998). Página visitada em 2009-07-04.
  3. Welcome to North Korea. Rule No. 1: Obey all rules, Steve Knipp, Contributor to The Christian Science Monitor. December 2, 2004.
  4. Ryu, Yi-geun, Daniel Rakove. "[Feature] In reclusive North, signs of economic liberalization", The Hankyoreh, The Hankyoreh Media Company, 2007-05-30. Página visitada em 2009-07-04.
  5. Jangmadang Will Prevent “Second Food Crisis” from Developing, DailyNK, 2007-10-26
  6. COUNTRY PROFILE: NORTH KOREA. Library of Congress – Federal Research Division (July 2007). Página visitada em 2009-07-04.
  7. DPRK--Only Tax-free Country. Página visitada em 2009-06-19.
  8. The Taean Work System
  9. a b http://koreatimes.co.kr/www/news/nation/2009/06/123_47603.html
  10. a b Korea, North. The World Factbook (2009). Página visitada em 2009-09-19.
  11. Basic information on the Democratic People's Republic of Korea, Ministry of foreign affairs of Bulgaria.
  12. MAJOR FOOD AND AGRICULTURAL COMMODITIES AND PRODUCERS - Countries by commodity. UN FAO Statistics Division (2005). Página visitada em 2009-07-04.
  13. MAJOR FOOD AND AGRICULTURAL COMMODITIES AND PRODUCERS - Countries by commodity. UN FAO Statistics Division (2005). Página visitada em 2009-07-04.
  14. a b Report on U.S. Humanitarian assistance to North Koreans (PDF). United States House Committee on Foreign Affairs (2006-04-15). Página visitada em 2007-08-01.
  15. North Korea: Ending Food Aid Would Deepen Hunger. Human Rights Watch (2006-10-11). Página visitada em 2007-08-02.
  16. Nam, Sung-wook (2006-10-26). China's N.K. policy unlikely to change. The Korea Herald. Página visitada em 2007-08-02.
  17. a b Fourth round of Six-Party Talks. CanKor, on Korean Peace and Security (2005-09-27). Página visitada em 2007-08-01.
  18. Faiola, Anthony (2006-07-14). S. Korea Suspends Food Aid to North. Washington Post. Página visitada em 2007-08-02.
  19. <A class=htc href="LiveCall:47-0000779">47-0000779</A>fd2ac.html?nclick_check=1 China halts rail freight to North Korea. Financial Times (2007-10-18). Página visitada em 2007-10-18.
  20. French, Howard W. (2002-09-25). North Korea to Let Capitalism Loose in Investment Zone. The New York Times. Página visitada em 2007-08-02.
  21. MacKinnon, Rebecca (2005-01-17). Chinese Cell Phone Breaches North Korean Hermit Kingdom. Yale Global Online. Página visitada em 2007-08-02.
  22. North Korea recalls mobile phones. The Sydney Morning Herald (2004-06-04). Página visitada em 2007-08-02.
  23. Felix Abt, North Korea – A demanding business environment / Practical advice on investing and doing business, German Asia-Pacific Business Association, Hamburg, September 2009
  24. N Korean heroin ship sunk by jet. BBC News (2006-03-23). Página visitada em 2007-08-02.
  25. S Korea hopes DPRK to begin dialogue over S Korean tourist shot dead. chinaview.cn. Página visitada em 2009-07-12.
  26. Zeller Jr., Tom. "The Internet Black Hole That Is North Korea", The New York Times, October 23 2006. Página visitada em December 26 2008.
  27. Powell, Bill. "North Korea", Time, August 14 2007. Página visitada em December 26 2008.
  28. Federal Research Division of the US Library of Congress (2007). North Korea - Agriculture. Country Studies. Página visitada em 2007-08-01.
  29. a b Lee, May (1998-08-19). Famine may have killed 2 million in North Korea. CNN. Página visitada em 2007-08-01.
  30. Asia-Pacific : North Korea. Anistia Internacional (2007). Página visitada em 2007-08-01.
  31. a b c d Haggard Stephan; Marcus Noland (2007). Ch6 The political economy of aid: Famine in North Korea. New York: Columbia University Press. p. 137.
  32. Solomon, Jay (2005-05-20). US Has Put Food Aid for North Korea on Hold. Wall Street Journal. Página visitada em 2007-08-01.
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